Madalena, a pecadora
Naquele dia Jesus passeava-se pelo mercado, buscando novos seguidores da palavra de Ralag, quando ouviu gritos.
Eram os gritos de revolta de uma população em fúria que acusava uma mulher chamada Madalena de ser uma herege que levava uma vida de perversão e luxúria.
Madalena costumava frequentar o mercado em busca de homens, especialmente os mais altos e criativos. Homens estes que passavam algumas horas com ela deixando-lhe algum dinheiro quando partiam. O auge desta actividade acontecia na noite de quarta-feira, quando Madalena reunia por vezes dezenas de homens numa grande orgia que se estendia até à noite de quinta-feira.
O castigo para esta vida devassa era um julgamento público, sem direito a qualquer defesa em que a mulher era quase sempre condenada a uma morte humilhante, por apedrejamento. O julgamento de Madalena foi curto, rapidamente apareceram algumas testemunhas e a condenação foi aquela que todos esperavam…
Quando a população se preparava para executar a sentença, Jesus gritou: “Aquele que nunca pecou que atire a primeira pedra!”
A população dispersou-se de cabeça baixa, nesse dia o mercado ficou deserto e esses homens altos que Madalena procurava voltaram para as suas casas.
Jesus acolheu Madalena, que lhe contou que estava farta desta vida. O negócio já não corria como dantes, agora havia muitas mulheres que se dedicavam à mesma actividade e os preços destes serviços diminuíam cada vez mais. Agora muitas vezes quando os homens partiam não deixavam dinheiro que chegasse sequer para pagar as despesas.
Jesus falou-lhe de Ralag e Madalena, maravilhada com o que ouvia, imediatamente se converteu e tornando-se uma fiel seguidora de Ralag.
Ao fim de pouco tempo Madalena já entrava nas peladinhas e rapidamente dominou a arte do futebol defensivo. Não demorou muito até Madalena se juntar aos restantes apostolos na equipa principal.
Mas não acabou por aí, Madalena era especial, tinha a delicadeza feminina que apenas uma mulher podia. Delicadeza que lhe permitiu desenvolver uma nova técnica, a técnica de derrubar o adversário subtilmente, sem que ninguém possa apontar uma falta ou um penalty.
Madalena tornou-se a preferida de Jesus, passavam juntos muito tempo fechados numa sala, onde frequentemente se ouviam gemidos. Alguns insinuam que os dois tinham uma relação amorosa, outros adiantam ainda que dessa relação nasceu um filho. A verdade sobre o que se passava dentro daquela sala e que poucos conhecem, revelo-a aqui apenas para vocês. Eles ensaiavam faltas, tentavam descobrir os pontos fracos do corpo humano e formas de os usar para derrubar um adversário apenas com um pequeno toque. O “filho” da relação dos dois de que alguns falam, o sangue de Jesus (sim, sangrou muitas vezes durante estes estudos), o Santo Graal, mais conhecido por nós como Notas de Ralag, são essas mesmas técnicas.
Estes escritos preciosos percorreram o mundo envoltos em mistério, viajaram de mãos em mãos, até chegar às mãos dos templários, uma ordem de cavaleiros supostamente criada para defender o templo de Jerusalém, que muitos dizem (e com razão) serem detentores do segredo do Santo Graal. Mas sobre eles vos falarei numa outra oportunidade.
Texto orginalmente postado no hattrick, federação lusófona de defesa, 23-08-2005.
Comentários Recentes