Arquivo do mês de Março, 2008

Investigação cientifica em Portugal e no Mundo

Sexta-feira, 28 de Março, 2008

A investigação cientifica é um sector importantíssimo para qualquer país industrializado. Não temos capacidade para combater a mão de obra barata de países como a china, por isso para crescer precisamos de mão de obra qualificada e de inovação. Desta forma é possível fazer as coisas melhor que os outros ou então criar aquilo que mais ninguém faz.

Olhando para o passado podemos ver exemplos de países que investiram na investigação cientifica e aquilo que ganharam com isso. Os Estados Unidos da América colocaram o homem na Lua, têm um exército equipado com tecnologia exclusiva e montes de empresas na área das tecnologias. Tudo isto se deve a uma forte aposta na investigação, tanto a nível público como privado. Outro exemplo é o Japão, onde é desenvolvida uma grande parte da tecnologia que usamos hoje em nossas casas.

A produção de toda esta tecnologia encontra-se no entanto na China e Índia, que têm mão de obra extremamente barata. Imaginem o que acontece se estes países investirem na investigação e passarem eles a desenvolver e produzir tecnologia. Muito provavelmente tornar-se-ão as novas potencias globais. Basta olhar à nossa volta, para os centros de investigação espalhados pelo mundo para ver que esse investimento está a ser feito em larga escala e que facilmente se encontram chineses e indianos na maioria destes. Assim, estes países conseguem formar os seus próprios cientistas e absorver conhecimento e experiência em todas as partes do mundo.

Quando o nosso primeiro ministro José Sócrates foi eleito anunciou o grande choque tecnológico com grandes investimentos na ciência e tecnologia. Ao fim de três anos de mandato é possível ver os resultados desse investimento.
Foi feito um grande investimento em equipamentos, o que concordo que é importante. O grande problema é que este senhor se esqueceu foi de que os equipamentos não fazem investigação sozinhos e muito mais importante que eles são as pessoas.

O investimento nas pessoas foi praticamente nulo. A maior parte dos investigadores portugueses trabalham como bolseiros de investigação que não sofrem qualquer aumento há mais de cinco anos, nem mesmo para acompanhar a inflação. Na verdade, o trabalho destes bolseiros nem é considerado pelo estado como trabalho. Trata-se de contratos de trabalho precário, com duração de 6 meses renováveis até um máximo de dois anos (período ao qual se dá a volta por tempo indefinido mudando o bolseiro para uma nova bolsa) e sem qualquer protecção para o trabalhado. São condições muito inferiores àquilo que se pratica no mercado de trabalho, muito inferiores até às oferecidas num estágio profissional. Claro que nestas condições não é possível manter ninguém por muito tempo… Existe um carreira de investigador na função pública, no entanto, por algum motivo esta praticamente não é aplicada.

Outra das medidas anunciadas pelo nosso primeiro ministro foi a criação dos acordos com o MIT e CMU. Mais uma vez medidas muito bonitas, que visam incentivar a investigação em Portugal. Na prática, resumem-se a colocar os cientistas nacionais a fazer investigação cujos frutos serão colhidos pelos Estados Unidos da América. Criam-se acordos para que portugueses possam fazer os seus doutoramentos fora do país, mas aqueles que se sujeitam a isso dificilmente regressam a Portugal, especialmente com as condições que lhes são oferecidas.

É com muita pena que vejo um sector tão importante para o país tornar-se inviável desta forma e ninguém fazer nada contra isso. Por minha parte, estou fora e viro hoje uma página da minha vida. Sinto que os 18 meses que dediquei à investigação se resumem a 18 meses da minha vida deitados pela janela, perante a total ingratidão daqueles por quem me sacrifiquei…


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