Radiohead abanam o mercado
Os Radiohead tomaram a iniciativa de publicar o seu último trabalho de uma forma diferente e original. Colocaram o seu álbum disponível para download e cada qual paga aquilo que quiser por ele. Tanto podemos não pagar nada, como ser bem generosos.
Acho esta iniciativa muito interessante e um sinal de que algo está a mudar.
Mas que algo está e tem que mudar já nós sabíamos. Primeiro a pirataria mandou abaixo os lucros das editoras. Pessoalmente penso que não é só uma questão de preços como alguns falam, mas um conjunto de diversos factores.
1º Digam o que disserem, dar 15€ por um cd de música é caro especialmente para quem ouve muita música. Dou 50€ ou 60€ por um jogo mas está ali 100x mais trabalho que num cd de música (até porque muitos jogos trazem uma banda sonora original que só por si dá 3cds).
2º É chato sair de casa para comprar música quando podemos ir à net arranjá-la rapidamente. Ouço uma musica interessante posso ter o impulso de querer ouvir o álbum e não vou sair de casa a correr. Se calhar se esperar uns dias a vontade de o ouvir até me passa.
A internet consegue resolver os dois problemas. A pirataria resolve-os muito bem, mas cria outro.
3º Se não pagamos pela música, os músicos não ganham dinheiro e se não recebem dinheiro, vão trabalhar noutra coisa.
Então qual é a solução?
Comércio electrónico
Com o comércio electrónico temos toda a comodidade de ter as músicas quando as queremos. E ainda resolvemos o 1º e 3º problema, criando um equilíbrio entre o que o consumidor paga e o que o músico recebe. Isto consegue-se eliminando diversos intermediários que ficam com uma parte muito considerável do lucro e também o custo de produção do próprio suporte físico.
Isto já existe há algum tempo, em lojas virtuais como o itunes por exemplo.
Os Radiohead levaram isto ainda mais longe, com vendas directas do autor para o consumidor e pelo preço que o consumidor quiser dar.
Mas será que isto é dificuldade para músicos mais pequenos?
Eu acredito que não… Tantas bandas de garagem gravam as suas músicas (a qualidade pode ser inferior, mas isso pouco importa neste caso) mas não as divulgam por nenhuma editora olhar para elas. Se seguirem este exemplo podem ter uma rampa de lançamento e ainda ganhar algum dinheiro com isso.
Mas nem tudo é bom no comércio electrónico… Existem algumas medidas que algumas lojas virtuais tomam que não me agradam nada.
As músicas são normalmente vendidas num formato que perde qualidade relativamente a um CD. Pode ser incómodo para muita gente, mas se a qualidade tiver um nível mínimo eu pessoalmente nem me importo.
Usam-se formados com DRM, ou seja, as músicas têm um uso muito limitado. Apenas podem ser copiadas um determinado número de vezes e apenas podem ser ouvidas em determinados dispositivos, sistemas operativos ou aplicações.
Eu nunca compraria uma música com DRM, quando compro um CD posso ouvi-lo onde e como eu quiser e posso (ou deveria) passá-lo para mp3 e copia-lo para os meus dois computadores, dois leitores de mp3, cartão de memória da wii, telemóvel, auto-rádio, etc…
Felizmente começam a existir companhias que vendem músicas online em formatos mp3 com uma qualidade muito razoável, é uma questão de procurar.
29 de Outubro, 2007 às 22:51
muito bem escrito e concordo contigo mas tambem se cria outro problema…o fecho das lojas de cd’s…que aconteceria ai aos que trabalham nessas lojas? É tudo um ciclo vicioso e complicado…mas o preço que cobram por um cd de música e demasiado caro e por isso as pessoas recorrem a pirataria…mas dai vem o que dizes…e por ai fora…mas muito bem dito ou não fosses tu a pessoa inteligente que és
29 de Outubro, 2007 às 23:01
Olha que nas lojas não muda muito em relação ao que temos agora (praticamente toda a gente toda a gente recorre à pirataria), continuam a vender música em cd ou dvd-audio para os audiófilos.
Esses levam a música muito a sério e nunca vão deixar de pagar por música com a qualidade máxima, que dificilmente alguma vez vamos encontrar na internet.
29 de Outubro, 2007 às 23:06
hum…devem ser tipo eu e os meus doces LP’s que ainda caço e ouço lool e continuo a preferi-los